Virtual 01

01 O amanhã
02 Virtual
03 Fronteiras
04 Pelo seu dom de ser feliz
05 Balada da dor de um homem
06 Cárcere
07 Só para poder colocar você no bolso
08 Chutando o rei
09 Pelas casas dos botões
10 Não existe paz para o meu coração

Músicos

Daian Schmitt: voz, violáo e guitarra
Léo Maier: violões e guitarras
Bigo: baixo
Darlan Dias: bateria e percussão
Marcio Dias: teclados
Ana Russi, Aline Barth e Sheila Pithan: backing vocal
Braion: sax
Cristiano: trompete e trombone
Leandro: e patrícia violinos

Ficha técnica

Direção artística e produção Daian Schmitt
Arranjos de base Daian Schmitt
Arranjos da banda Léo Maier, Jonathan "Bigo"
Sofiate e Darlan Dias
Arranjos de teclados, cordas e metais Marcio Dias
Arranjos de backing vocal Ana Russi e Aline Barth
Arte e direção de arte Daian Schmitt
Fotos Juliano Muller RGB Studio
(www.rgbstudio.com.br)
Revisão Débora Ferrazzo

Gravado no MD estúdio - Blumenau-SC
(www.mdestudio.com.br)
Técnico de estúdio Hemilson Rodrigues
Mixagem e masterização Marcio Dias

O amanhã
Daian Schmitt

Bem ou mal
Quem enfrentará o amanhã?
Bem ou mal
Quem enfrentará o amanhã?

E acordará com a boca selada
E entenderá porque não falam mais
O sofrimento é dentro da cabeça
Agora durma em paz
Porque amanhã, terás outro dia

E acordará com a boca sedenta
E falará por quem não fala mais
A solução é dentro da cabeça
Agora exija mais
Porque amanhã, terás outro dia

Não existe paz para o meu coração (Jamais)
Daian Schmitt

Lembra aquela tarde nos cristais
A banda que sonhava com um minuto a mais
Eu chegava lento e o sol arrematava o meu rosto

O cheiro da costela do bar farol
Na mesa os dois a cada olhar
A sua pressa de ir embora 
Com o desejo de querer ficar

O beijo então quase roubado
Uma semana sem nenhum recado
Para em meio aos meus amigos
No farol se reencontrar

Não, não existe paz, pro meu coração! (jamais)

As perguntas turvas sobre o meu passado
As respostas de um homem embriagado
Despertavam o ciúme prematuro
De um pensamento amargo

Amizades sendo destruídas
Nomes trocados pela língua
O seu desconforto ao meu lado
Então se pronuncia

Fantasmas nas sombras das paredes
Pés gelados em plena agonia
O beijo doce adormece e acaricia

Não, não existe paz, pro meu coração! (jamais)

O trabalho sendo abandonado
Mudanças pesadas mau agrado
Em meio à bagunça do teu quarto o som silencia

Ataques pessoais a certas pessoas
Todas as mulheres, fantasia
A paranóia explode em granadas
Com a suspeita que refletia

As tentativas todas frustradas
As promessas todas ignoradas
Para no perdão se arrepender
Sem nada, nunca aprender

Não, não existe paz, pro meu coração! (jamais)

A vingança sendo articulada
A falsidade exposta e aliviada
Para em palavras esconder
O que realmente se quer dizer

Os erros sendo admitidos
Os meus e os seus valores reprimidos
Pra justificar o que não deveria ter acontecido

Agora tudo esta no vácuo
Na imensidão do imaginário
Onde cada passo é um tropeço
De um princípio arbitrário

Mas não, não haverá paz, pro meu coração! (jamais)
Não, não haverá paz, pro seu coração! (jamais)


Fronteiras
Daian Schmitt

Deixe o tempo latente
Se banhe na água corrente
Para a alma lavar
Levante o punho sedento
Estrangule o sentimento
Do medo de caminhar

Então lute por essa terra
Morra por essa terra
Que essa terra te abençoará
Sofra por essa terra
Peque por essa terra
Que essa terra te enterrará

Os navios acorrentados nos mares
As cercas invadindo os lares
Os profetas com suas bravatas
A nos controlar

O sangue nas mãos de inocentes
O profano em meio aos dentes
Desta gente de pele marcada
A sussurrar

Tente ser mais presente
Se mantenha contundente
Sem medo de errar
Mas não julgue o inocente 
Sem provas ou precedentes
Para se aproveitar

Então viva a sua vida
Mesmo surrada e oprimida
Que a vida te encontrará

Não se apegue a costumes
De pessoas com ciúmes
Que o ciúme te arruinará

A alma que abriga o corpo
O velho junto do novo
A cobiça em busca do ouro
Pra te envenenar

A culpa é a dor do fraco
O pecado sempre mora ao lado
Da porta e da sua janela
Pra te vigiar

A culpa é a dor do fraco
O pecado sempre mora ao lado
Da porta e da nossa janela
Pra nos vigiar

Chutando o rei
Daian Schmitt

Eu trago a minha boca sangrando
Pelos cantos da boca, os planos
Que a língua amortece 
Devolvo de novo a esperança
Em carne viva e pujança 
Que não enfraquece

Não espero o dia clarear
Antes que eu possa errar
Eu mudo meus versos
Quero a certeza de novo
Dentre os sábios um tolo
Que não quer o resto

Posso passar sem ser percebido
Deixo para traz as suas costas
Posso voar e ser atingido, mas voar!

Eu trago na mão a bandeira
Na faixa branca o engano
Que todos conhecem
Não peço licença e avanço
Pelas estradas e campos
Ao ranger dos balanços

Não espero a grama secar
Antes de a garganta falhar
Eu grito de novo
Chuto o velho rei do trono
O dono do abandono da voz do povo

Posso passar sem ser percebido
Deixo para traz as suas costas
Posso voar e ser atingido, mas voar!

Recolho a sua comida podre
Repolho e algodão-doce
Da mão que te serve
Lavo as ruas com creolina
Despejo da sua latrina
O que você merece

Não deixo a mão atrofiar
Antes de o dedo embolar
Eu aponto de novo
Quero os olhos abertos
O inimigo por perto 
E os amigos cobertos

Posso passar sem ser percebido
Deixo para traz as suas costas
Posso voar e ser atingido, mas voar!

Só pra poder colocar você no bolso
Daian Schmitt

Te vejo chegando
Na contra luz do meu lençol
Eu sinto no vulto impelido puro ardor
Resultado de paixão
Em madrugadas frias de verão

Em caso de um sonho
Me acorde por favor
É mais um momento que o céu fica incolor
Onde os amigos não são reais
E seguem meu cheiro como canibais

E eu que não tinha o que perder
Estou agora dissimulando
Eu que não sabia apostar 
Me vi sentado aqui blefando 
Só pra poder colocar você no bolso

Enquanto partias
Do mesmo jeito que chegou
Me deixou confuso
Deu boa sorte e acenou
Cobrindo o rosto com pavor
E sumindo no espelho do elevador

Durante algum tempo
Me senti superior
Contava vantagens
Pra mim mesmo em seu favor
De como vivias alegremente
Mesmo sabendo que estavas doente

E eu que ainda tinha o que perder
Mesmo já tendo apostado tudo
E eu que já não sinto mais prazer
Na demagogia do meu mundo 
Só pra poder colocar você no bolso

Pelo seu dom de ser feliz
Daian Schmitt

Esse seu dom de ser feliz
Uma vida entre um
E outro prazer
Só para lhe confortar
E segurar toda tensão

Essa vontade de crescer
Nesse tom de que sempre
Tem que ter-se alguém
Para desmerecer
E tornar tudo tão banal

Conjugar o verbo só no seu tempo
Esperar que todo mundo seja igual 
A um bando de alienados 
Alimentados por um arsenal
Alcunhados pelo vício 
Mas já mortos e enterrados
Pelo seu dom de ser feliz

Esse seu dom de ser feliz
Um diamante em que
Insistes em representar
Só para aparecer
E esconder como é ser tão normal

Esse desejo de mudar
Num breve momento
Que te faz tremer
E vai te relembrar
Que tudo pode ser tão real

Eesacelerar o seu pensamento
Arrastar seu corpo pelo temporal
Com seus sentidos do avesso
Imigrando pelo irracional
Perambulando pelo medo
Mas já sentindo a recaída
Pelo seu dom de ser feliz


Virtual
Daian Schmitt

Vejo no pouco que tenho
Nos passos perdidos
Caminhos que não me levam

No centro do meu coração
A ira de um cão
Amigo fiel do homem
Que já morreu

E sendo assim tenho que seguir
Mesmo sem ter certeza de nada
Começo tudo outra vez
Vejo tudo talvez virtual

Perco o sono outra vez
Em cada manha
Imagens que nada revelam

Volto de novo à infância
Em cada gibi
Em sonhos que não esperam
E será que existem?

E você que não se da prazer
E não tem medo de nada
Perca o sono talvez
Veja tudo talvez tão real

Cárcere
Daian Schmitt/Jonathan "Bigo" Sofiate

Pra quê as grades
E esses olhares
Todos trancados
Todos eles marcados?

Esses olhares
A quem pertencem?
São pensamentos
Presos em cada mente

São olhares comuns
Olhares de dor de gente
São olhares confusos
De quem só olha pra frente

E o pensamento
Livre da mente
Torna-se um ato
Mesmo que seja diferente

E as diferenças
Carregam as marcas
Que escondem os atos
Dentro do pensamento

Mas quem só pensa, padece
Mesmo sem querer
Sem saber porque nunca acontece

Pelas casas dos botões
Daian Schmitt

Sem maldade eu acaricio os seus cabelos
Pela mão te levo aonde a mão não alcança
Coloque os ganhos e as perdas na balança
E depois me diga quem sorriu

Pela amizade eu conheci o inimigo
Que o falso profeta então proferiu 
A aliança é atirada com a mentira
E eu pergunto então: quem traiu?

Deixa o sopro te arrastar
Para além do infinito
Pelas casas dos botões
Os jardins são mais floridos

Na fumaça eu te procuro intensamente
Conto com a sorte que alguém me deu
A luz vem chegando de repente 
E eu nem sei o que aconteceu

Com saudades eu aceno novamente
Na poeira outro beijo se perdeu
O assassino vai saindo lentamente
E ele sabe que você não se rendeu

Deixa o sopro te arrastar
Para além do infinito
Pelas casas dos botões
Os jardins são mais floridos

Balada da dor de um homem
Daian Schmitt

Meu amor fugiu com medo
Pela avenida central
E se perdeu dentro
De um nevoeiro
Rubro como um punhal

E deixou pra trás
Tristeza e dor
A ausência da cor
A displicência da flor
Levou a minha leveza

Arrancou-me o sorriso
A minha canção
Mudou o destino da alma
Da luz para a escuridão