
01 Quando chega a noite
02 Palhaço triste e ladrão
03 Água e sal
04 Eu não tomo mais Neston
05 Fome de quem come
06 Minha mãe falava e eu não ouvia
07 Antes que o brilho se vá
08 A morte do poeta
09 Caminhão de flores
10 A cor vermelha da maça
11 Sobre o meu calcanhar
12 Vendados
13 Visões de um bobo da corte
Músicos
Daian Schmitt: Vocal e Violão
Léo Maier: Baking Vocal, Guitarra e violão
Rafael Scharf: Guitarra, Slide.
Rafael Martorano: Teclado
Johnny Werner: Baixo
Darlan Dias: Bateria
Anderson Cassiano: Baixo
Jairo Adriano: Violino
Jonathan Estevam: Viola
Ficha Técnica
Produzido por: Daian Schmitt
Direção Artística: Daian Schmitt
Arranjos: Todos foram feitos pelos
músicos em suas respectivas faixas.
Gravado, mixado e masterizado no RBV Estúdio
Blumenau-SC, por Deny Bonfante,
entre outubro de 2006 e setembro de 2007.
Arte e Direção de Arte: Daian Schmitt
Revisão: Dayana Andrade
Nem o mago nem o rei ou Lampião
Todos os Zé's não são a questão
Piração a ração para sua razão
Os castelos e as rainhas
A copa e a cozinha
A fila da vida é a busca do pão
O largado na calçada
A esmola jogada
E os urubus voando no céu
O carro o status
E as madames repuxadas
Nos jornais revistas e tevês
Nas escolas abandonadas
A morte infantil
A força armada e o desejo de matar
O branco o negro e o índio
Um estúpido símbolo da civilização
O batismo a comunhão e a alienação
Dinheiro casamento emprego
O sorriso amarelo da população
O bar a bebida e o cigarro tragado
O jogo de cartas o taco quebrado
O passe a condução e o vale refeição
A cama a fama e a bajulação
A política e o jogo de futebol
Carnaval a fome e o canavial
Pegue logo esse laço
De um nó não perca o passo
Não perca o rebolado baby
3x4 é o compasso
Nessa estrada
Que eu vou calejar
Ontem mesmo eu lhe disse
Vê se deixa de tolices
Big Brother é besteira
Porque assim dessa maneira
Não se pode caminhar
Hoje eu saio do buraco
Vou rumo ao estrelato
Nessa vida de artista
Vou correndo noutra pista
E eu sei que ninguém
Vem me esperar
Sempre quero mais um verso
Tão pouco um reverso
Essa história é tão velha
Tente outra e veja
Se não vai se enrolar
Deixe as suas diferenças
Teu filho e as tuas armas
Quando chega a noite baby
É que você vem me procurar
Não tem um dia em que
Eu não pense na vida
Em toda forma de assombração
Onde o passado se torna presente
Na forma de uma visão
Da morena em busca da sorte
Nas formas de alucinação
Nem uma noite que seja inteira
Ou um sobrado de opinião
Canteiros virados sem flor
Conduzindo o fracassado ladrão
E as almas da torre do norte que
Cansadas ainda fazem serão
Mas a tristeza do homem condena
O homem em forma de oração
Que no sono me deixa negado
Eu sou um palhaço triste e ladrão
Um palhaço triste oh não
Um sorriso destoado infeliz
E um abraço sem aproximação
E os carinhos esquecidos no palco
Nos improvisos de um beberrão
E os garis dançando pra lua
E as vassouras uivando no chão
As águas da chuva invadem
E os trovões vêm denunciar
A falsidade que na terra envelhece
Os pilares de um sistema vulgar
Não há nota que não seja tocada
Nem invernos que não vão passar
Esqueceram do tempo marcando compassos
Esqueceram do tempo deixando pedaços
Nas noites sofridas das guerras perdidas
Mata a fome dessa gente
Alivia o temporal
E não deixe que se acabe
Este povo água e sal
Correram calados na vida infeliz
Servido de bonecas como uma meretriz
E as graças pedidas nas mãos de um juiz
Chega de tanta porrada
Chega de tardo perdão
Chega de tanto lamento e contradição
E assim vamos vivendo como um anjo caído
Entre listras e estrelas sem nenhum gemido
Baixando a cabeça com medo da sentença
Pra que tanta canalhice
Tantos olhos sem razão
Tantos homens gladiando
Por um pedaço de chão?
Vejo as crianças adultas demais
Vejo o brilho da vida nos olhos do velho
As mulheres tão liberais
E os partidos sociais na frente
A medicina perdendo os dentes
A psicologia boiando na patente
Eu não tomo mais Neston
A decadência da minha geração
É a subliminar vitrine da televisão
Os jovens são todos iguais
Ideologias artificiais na mente
A moeda do jogo mudou
Acéfalo foi quem a comprou
Deixou instituir-se lentamente
Eu não tomo mais Neston
A politicagem é tão fedorenta
Tirar vantagem de tudo virou recompensa
O pobre comprando a prestação
A publicidade das Casas Bahia
É uma chateação
A propaganda é um estupro mental
Exilem o advogado criminal
Porque eu não tomo mais Neston
A inconsciência matou a razão
E os negros na mesma situação
A música não passa de um passatempo
Piadas mal resolvidas no meu tempo
E a cultura ejacula nostalgia
É isso que eu vejo hoje em dia
Eu não tomo mais Neston
Por favor Sr. Presidente
Antes de falar escove os dentes
Porque aqui
O cheiro tá um horror
Toda essa reciclagem
Tem vários personagens
Pra matar a fome
De quem come
E se quem come
Não passa fome
Amanhã vai ser bem pior
E eu ponho à mesa
O seu feijão com arroz
E o arroto deixe pra depois
Senadora fora do esquema
Ai meu deus mas que dilema
Não sabia se saía do partido
Tem as suas ideologias
Continuou com suas manias
Fazendo inimigos no congresso
Mas para matar a fome
Desse meu Brasil
Não é a propaganda
E nem um ato civil
Pra matar a fome
Desse meu Brasil
Mande o Bush para Smalville
Minha mãe falava
E eu não ouvia
A tristeza louca
Minha companhia
E os olhos embriagados de José
Minha voz tosca segue cantando
Minha mãe é espada flamejando
Com seu carinho de mulher
Ave, os meus olhos
Alivia a minha dor
Ave, os meus olhos mãe
E alivia a minha dor
Correnteza leve
Que ia passando
Para o mar vai carregando
Os meus olhos loucos de leão
E com a chuva
Tudo se esclarece
Caindo no rosto
Maquiagem derrete
E é assim que deve ser
Ave, os meus olhos
E alivia a minha dor
Ave, os meus olhos mãe
E alivia a minha dor
Toque a nota certa que ela se soltará no ar
Pare por um segundo na beirada
Do mundo a girar
Tenha coragem pra pular
Tenha coragem pra pular
Solte o seu corpo parco
No vácuo de uma águia a voar
Abra bem os olhos
Para ver o chão chegar
Tenha coragem pra sonhar
Tenha coragem pra sonhar
Abra o seu sorriso e os braços pra brincar
Corra pelos campos de pés descalços a cantar
Pois a vida passa sem passar
Não dá pra esperar
O tempo não volta não
É um chavão eu sei
Mas o tempo não volta não
A inveja é um fardo árduo a carregar
Não tenhas mais vergonha de amar
É tudo o que da vida vais levar
Antes que o brilho se vá
Antes que enlouqueça baby
Antes que o brilho se vá
Antes que escureça baby
Na tempestade de pedra
A raiva vem e leva
Parte do que sobrou do seu coração
Jogou no abismo imundo
Que abriga os mundos
E partilha dessa podridão
Eu inventaria um mundo novo
Se eu pudesse enxergar
Deixaria novos rumos
Pra você se deleitar
E pagaria as promessas
Que dividem nossa terra
Antes mesmo de rezar
Sopraria no teu olho
A coragem pra lutar
Despejaria na tua veia
A beleza da mulher feia
Pra você se apaixonar
A fumaça do bueiro
Beija o seu travesseiro
E você ainda tenta relaxar
E durante o cortejo
Arreganham-se bocejos
Com muita preguiça de chorar
No calor do dia as flores
Não conseguem respirar
O frio da noite corta os rios
Sem ninguém pra velejar
Vejam a morte do poeta
Que viveu sem pressa
E não viu o dia chegar
Eu não pensaria duas vezes
Ao ver você sangrar
Eu te daria o meu braço
A beira de um colapso
Pra poder te levantar
Eu conduzo um caminhão de flores
Os olhos cheios de amores pra te regar
Da colina da sua razão eu vejo
Os rostos e o desprezo
De quem não pode amar
O amor é uma bala frágil de canhão
Que não atravessa nuvens de algodão
A harmonia é livre dentro da canção
Que eu aprisiono em notas
No meu coração
Ah, se fosse fácil assim Da noite pro dia
E do princípio ao fim Ah, se fosse fácil assim
Eu negaria o fraco dentro de mim
O desejo voa em asas de borboletas
Em leves silhuetas borrando o ar
A rua clareia depois de cada esquina
Num golpe de esgrima
mesmo que venha sangrar
O punho traiçoeiro do destino
Num bote de um felino veio me atacar
Me jogou como lama seca na parede
Como porcelana chinesa eu fui estilhaçar
Ah, se fosse fácil assim Da noite pro dia
E do princípio ao fim Ah, se fosse fácil assim
Eu negaria o fraco dentro de mim
As tentativas frustradas do ciúme
Me deixaram imune, mesmo sem saber
Que por trás de cada ato de terrorismo
O meu covarde heroísmo veio falecer
E enterrado sob as palmeiras secas
Todos em fileira vieram pra ver
Que o fogo ateado por orgulho
No mergulho da fênix veio renascer
Via o tempo como passa-tempo
Aquele momento do alistamento
Onde o enrugamento do novo testamento
Enriquece o bolso do empreendimento
Da escalada para o firmamento
Sob a luz divida da prestação
Eu não agüento não
Compre um novo carro
Troque a marca do cigarro
Um caixão de mogno
Uma gravata e um belo terno
O jogo se repete
Os homens se entristecem
No tambor de um 38
Mora o medo do inferno
Nos teus olhos de manha
A cor vermelha da maça
Jogue no bicho e na mega sena
Tem o bingo, tem o caça níquel
A casa feliz e o carne do baú
A sorte é tanta, olha o olho gordo
Jogue sal grosso no canto
Para espantar o espanto
E ser um homem mais feliz
Com isso cresce o seu nariz
Troque a escova de dente
Um novo penteado um novo pente
Um a viagem de repente
Não esqueça o sabonete
Num hotel com água quente
Esvazie a sua mente
Na hora de pagar
Peça um desconto pro gerente
E nos teus olhos de manha
A cor vermelha da maça
Meus dias viajam em pensamentos
E todo dia eu tento Esquecer do teu lugar
E a cada sopro de momento
Me perco no contratempo
Da decisão do teu penar
E penetro nas dores do mundo
Sobre o meu calcanhar
Um tanto de ciúmes
Leva teu medo ao cume
E te afasta do meu cantar
E pela minha janela
Te via em primaveras
Enquanto sonhavas em voltar
Tinhas todo o apoio do mundo
Sobre o meu calcanhar
E lembrar que ainda somos jovens
Com tanto tempo pra errar
E esquecer que não somos jovens
Quando não pudermos mais tirar
A angústia sobre o meu calcanhar
Uma batida em minha porta
E a minha pele exposta
Ao toque do teu luar
São meus retratos vagabundos
Que delatam tudo
E afrontam o meu pensar
Eu tinha toda a culpa do mundo
Sobre o meu calcanhar
E quando acordares em POA
Com pensamentos à toa
E se lembrar do meu olhar
Serão meus lamentos dançantes
Minha voz em alto-falantes
Já cansada a murmurar
Terás toda saudade do mundo
Sobre o teu calcanhar
Por quanto tempo
Ficaremos vendados
Tentando ressuscitar
As palavras de alguém?
Faça o seu jogo
E crie o seu destino
Pois no mundo
Já há mais mãos
Do que de possa pregar
Pois no mundo já
Há mais mãos do que
Se possa pregar
Não tenha medo
Mas tome cuidado
Daqui a pouco vem
Alguém para lhe derrubar
Algum imbecil tão cheio de tédio
Mas o ódio dele é forte como o seu
Então use palavras
Que ele nunca conheceu
Palavras que ele nunca conheceu